24.7.16
DRONE
Foi um prazer. Um bólide que veio aos poucos, no entanto, das andanças desconexas pelo Reino Unido.
14 poemas, em tradução felicíssima de Virna Teixeira, e primeiro título da Carnaval Press, selo dedicado à tradução de poesia brasileira no UK.
Na Waterstones pode ser encontrado em https://www.waterstones.com/book/drone/rosane-carneiro/virna-teixeira/9780993364402
27.3.15
as caixas obscuras
percebo que não me é permitido o voo
a mim não, a arte de voar sem metas
a arte de permanecer no ar
– alguma arte
percebo talvez uma forma diferente de respirar
posso?, em silêncio criar outro oxigênio
a arte de inalar meu próprio ar
e permanecer – alguma arte
mas sem ar
eu, acidente automático
a morte que respira em mim
o desastre
21.12.14
darc
Havia três mil soldados ao redor da minha
cabeça. Nove mil armaduras, dezoito mil
baionetas. Todo o aparato da culpa de rir
sem par, invasora e cavaleira. O conflito
porém entrou em guerra, e de novo
venceram mortos e feridos – mestres reais
da sobrevivência. No modo batalha sou
mais feliz: pelo meu campo de flores, lança
de estar no mundo contra a trégua do bom
senso; e pela bandeira sanguínea do amor,
que se empunha somente em movimento.
7.7.14
Jorro
Lembrei hoje com pesar daqueles dias em que este corpo sangrou de amor.
Afogueado, ofertou o que lhe parecia o mais justo, a entranha.
Desnorteado, entendeu ser finalmente hora de demonstrar-se, e ofereceu seu mais cru e simbólico fluxo, da cor que é ela mesma carne das paixões: amor e morte.
Tive pena. E carinho. Corpo órfão de grandes amores. Corpo puro. Entregou-se, em sacro ofício.
Sangrou do modo mais lindo. Feminino.
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