7.7.14
Jorro
Lembrei hoje com pesar daqueles dias em que este corpo sangrou de amor.
Afogueado, ofertou o que lhe parecia o mais justo, a entranha.
Desnorteado, entendeu ser finalmente hora de demonstrar-se, e ofereceu seu mais cru e simbólico fluxo, da cor que é ela mesma carne das paixões: amor e morte.
Tive pena. E carinho. Corpo órfão de grandes amores. Corpo puro. Entregou-se, em sacro ofício.
Sangrou do modo mais lindo. Feminino.
22.6.14
21.5.14
Títulos
assim pequenos, tentamos escapar. do enormemente importante. do que antes sempre nos fizera patriados das grandezas intolerantes. furamos o condão do isolamento, descemos do camarote – carregados de minúscula pompa era mais fácil. deixamos, negamos a ridiculeza narcísica das fronteiras de nossa simpática ignorância. que fantástica sensação a de nos relevar. e experimentar desguarnecer: o bastante.
O lustre dele me ilustra: os editores da Diversos Afins sabem das coisas.
Minha segunda passagem por lá, na 90a. leva, com alguns poemas do Vate e outros esparsos. É uma das revistas mais plurais que conheço. Bacana.
gozo
princípio de cada dia
repartir
para comer os tempos
feitos de fartura e saciedade
na ceia sem nomes
escolhidos são os que
não escolhem
alimentados são
os que gozam
e repartem
O link: http://diversosafins.com.br/?p=7467&cpage=1#comment-1077
Minha segunda passagem por lá, na 90a. leva, com alguns poemas do Vate e outros esparsos. É uma das revistas mais plurais que conheço. Bacana.
gozo
princípio de cada dia
repartir
para comer os tempos
feitos de fartura e saciedade
na ceia sem nomes
escolhidos são os que
não escolhem
alimentados são
os que gozam
e repartem
O link: http://diversosafins.com.br/?p=7467&cpage=1#comment-1077
21.4.14
Rio de Janeiro, cidade de Cristos
O direito
à vida é um lugar – campo aberto. Mas sobre as flores pisoteiam. Enlameiam. O
direito à vida é um lugar, campo aberto, porém entre destroços violenta-se. A vida, em pleno direito, exige: respeito. Na
vastidão somos iguais, lugar do acerto.
O
direito à vida é imensidão.
Imagem: Mídia Ninja
Imagem: Mídia Ninja
30.12.13
Escritoras suicidas
Na corrente entre o meu e o teu brinquedo
uma arma
Na mordida entre o meu e o teu
cheiro
uma granada
A bala mais perdida do pique-
esconde
O ápice do ácido quando se
derrete
em fome
Mentira, tesão e fé foram os temas da edição 45 das Escritoras Suicidas. Este é um dos poemas com o quais participo. Feliz da vida. E suicida.
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